A Assinatura do Mestre
Onze minutos do segundo tempo. Bruno Henrique sofre falta na intermediária adversária. Giorgian De Arrascaeta prepara a bola com carinho. O garçom – não o uruguaio, mas o do bar onde eu estava – comenta, cético: “Não vai dar em nada”. Ao meu lado, um torcedor mais otimista profere com absoluta certeza: “A mística da camisa dez do Galinho vai incorporar nele agora”. E eu… e eu estava mais alinhado com o garçom. Afinal, nosso craque atual, em sete temporadas no Mais Querido, marcara apenas dois gols de falta direta até ali.
Há tempos que as cobranças de falta no Flamengo – e até no time da camisa amarela – nos deixam com aquela sensação de “não vai sair nada”. Para os mais novos, pode parecer banal. Para mim, que venho de uma era em que os próprios adversários se viravam na barreira para contemplar o inevitável, é uma saudade que dói.
Lembro da lenda do Brasileiro de 1987: Flamengo x Santa Cruz no Arruda. Quando questionado por se virar, o zagueiro Zé Carlos foi direto: “Não quero perder o gol do Zico”. Banal era a bola entrar.
Não dá para esquecer aqueles domingos de “praia e sol, Maracanã, futebol”. Estádio lotado, cem, cento e vinte mil almas em sinergia perfeita. Quando nossos jogadores caíam perto da área, já sabíamos: a explosão de emoção vinha a caminho.
Falar de Zico e gol de falta é redundância. Seu discípulo, Marcelinho Carioca, com aquele pezinho de ouro, fazia a pelota viajar até a junção do poste com a trave, descrevendo uma curva que lembrava as ultrapassagens impossíveis da Fórmula 1 – como a de Nelson Piquet sobre Ayrton Senna no GP da Hungria de 1986, lembram?
E o que dizer de Petkovic? O sérvio mais carioca do Brasil, desabando de barriga para cima, mãos aos céus, após a cobrança antológica contra o Vasco aos 43 do segundo tempo – o gol que nos deu o Carioca de 2001!
Voltemos ao bar. Um minuto de conversa fiada se passa até que – BUM! – o local explode em alegria. Arrascaeta converte com uma cobrança magistral, daquelas que o próprio Galinho assinaria. Sacramenta a vitória do Mengão e, quem sabe, anuncia o renascimento de uma arte que parecia perdida.
Que venham mais. Muitas mais.
Continuem se cuidando, um Forte Abraço e até mais!

Acredito que as melhores viagens são aquelas que fazemos para dentro. No “Na Bagagem”, compartilho histórias, memórias e reflexões sobre o que realmente importa carregar conosco: as experiências que moldam quem somos.
Acredito que as melhores viagens são aquelas que fazemos para dentro. No "Na Bagagem", compartilho histórias, memórias e reflexões sobre o que realmente importa carregar conosco: as experiências que moldam quem somos.



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