Israel Reacende Suas Luzes: Trilhas, Memórias e Uma Vida Que Vale a Pena

Israel Reacende Suas Luzes: Trilhas, Memórias e Uma Vida Que Vale a Pena

Há lugares no mundo que parecem carregar, ao mesmo tempo, o peso da História e a leveza da reinvenção. Israel é um desses destinos. A cada nova notícia que chega de lá, tenho a sensação de que o país vive num eterno entrelaçar entre o antigo e o moderno, como se cada rua, cada pedra e cada copo de vinho contassem uma parte de uma mesma conversa — aquela que a humanidade vem repetindo há milênios.

Dias atrás, recebi uma reportagem falando sobre três movimentos importantes no turismo israelense: um prêmio europeu, a restauração de um hotel centenário e uma campanha global sobre Tel Aviv. No começo, parecia apenas mais uma nota do setor. Mas, conforme fui lendo, percebi que havia algo maior ali. Algo sobre caminhos — os que nos trazem de volta ao que somos e os que nos levam adiante, para o que queremos ser.

O primeiro deles é literal: The Way to Jerusalem, uma rota de peregrinação que liga o Porto de Jaffa ao Portão de Jaffa, na Cidade Velha de Jerusalém. São 111 quilômetros atravessando cidades, trilhas históricas e vinícolas que já existiam quando o mundo ainda estava aprendendo a escrever. Não foi surpresa saber que o trajeto recebeu o Iter Vitis – Cultural Wine Heritage Award 2025. Afinal, percorrer essa rota é quase como caminhar por dentro de um livro — daqueles que a gente lê devagar, para não perder nenhum detalhe da paisagem.

E enquanto uns reconstroem caminhos, outros restauram memórias. Em Tel Aviv, o Hotel Nordoy, que já viu um século passar diante de suas janelas, reabriu depois de uma restauração minuciosa. Quase dá para imaginar Yehuda Magidovitch, seu arquiteto, ali do outro lado da rua, conferindo se alguém mudou algum traço, como quem guarda um segredo. O hotel, agora boutique e apenas para adultos, ganhou novos ares: rooftop com jacuzzi, spa, bistrô comandado por chefs premiados e até uma padaria que parece saída de um filme. Mas, no fundo, o charme está naquilo que não se vê, na sensação de que o passado e o presente se encontram ali, no saguão, e trocam um sorriso cúmplice.

Por fim, Tel Aviv decidiu olhar para o mundo e dizer: “Life Worth Living”. Um slogan simples, mas poderoso. Como se a própria cidade, vibrante e imperfeita, levantasse a mão e declarasse: “Apesar de tudo, viver vale a pena.” Em um momento de reconstrução nacional, a mensagem vibra diferente. É quase um convite, não apenas para visitar, mas para reacender esse desejo insistente de seguir em frente.

Enquanto fechava a leitura, me peguei pensando no turismo, esse universo que às vezes parece tão prático, tão técnico, tão cheio de números e, como ele, no fundo, fala sobre humanidade. Sobre deslocamentos físicos e emocionais. Sobre partir, voltar, descobrir, recomeçar.

Israel, com seus caminhos antigos, seus hotéis renascidos e suas campanhas vibrantes, lembra a todos nós que viajar é isso: reconstruir um pedaço do mundo dentro da gente.

E, sinceramente, não dá para imaginar tarefa mais bonita.

Um forte abraço e até!

Acredito que as melhores viagens são aquelas que fazemos para dentro. No "Na Bagagem", compartilho histórias, memórias e reflexões sobre o que realmente importa carregar conosco: as experiências que moldam quem somos.

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