A Era de Ouro (e Bronze Fosco) das Milhas

A Era de Ouro (e Bronze Fosco) das Milhas

Dizem que, com R$ 5.000 de limite no cartão, você consegue fazer R$ 2.000 de renda extra por mês. Outros mais ousados juram que basta R$ 500 para multiplicar o dinheiro como quem planta feijão mágico. Uma navegada rápida pela internet, você vai achar um monte de vídeos tentando te convencer disto. Eu ouvi uma dessas promessas, respirei fundo e fiz aquela cara de quem sabe que não vai dar bom, mas vai assistir até o fim só para confirmar.

A verdade é que já existiu um tempo em que o mercado de milhas era quase um Velho Oeste: arriscado, mas cheio de oportunidades. Hotmilhas e MaxMilhas eram os saloons movimentados — vendiam, compravam, intermediavam tudo. Só que o filme virou drama: recuperação judicial, calote, reputação indo por água abaixo. No fim das contas, o xerife foi embora e quem ficou precisou se virar sozinho.

Hoje, quem quer vender milhas precisa entrar em balcões de WhatsApp, Telegram, grupos secretos onde cada um jura que é honesto, mas sempre tem um vilão escondido atrás de um número desconhecido. E entre golpes, contas suspensas pelas companhias aéreas e regras cada vez mais restritas, o sonho da renda extra vai ficando com cara de pesadelo administrativo.

Aí, claro, vem a matemática.

E a matemática é sempre brutal.

Você compra pontos, espera promoção, paga clube, torce por um bônus, vende no balcão… e depois de tudo isso descobre que o lucro, no fim das contas, dá para comprar uma coxinha (sem catupiry). Uma engenharia digna da NASA para lucrar, se muito, R$ 90. Isso quando tudo dá certo, quando não cai reserva, quando ninguém some do grupo, quando a companhia não resolve travar sua conta por “atividade suspeita”.

E aí surge a pergunta: vale o esforço?

O vídeo responde sem rodeios. Eu, aqui do meu canto, também arrisco um palpite: não, não vale. A era dourada das milhas para renda extra já foi, brilhou, caiu, oxidou. O que restou hoje é bronze fosco com cheiro de burocracia.

Mas isso não significa que as milhas perderam o encanto. Pelo contrário.

Porque quando você usa milhas para aquilo que realmente importa, viajar, o brilho volta. A cada resgate, o desconto é maior, o valor faz sentido, e a conta fecha não no bolso, mas na alma. Você troca números por janelas de avião, programas de fidelidade por memórias, tabelas de conversão por abraços no desembarque.

Milhas nunca foram feitas para enriquecer ninguém.

Foram feitas para levar a gente mais longe.

No final das contas, é simples:

renda extra você constrói com trabalho; milhas você guarda para viajar.

E, honestamente?

Entre ganhar R$ 90 e ganhar o mundo, eu já sei qual saldo eu escolho.

Continuem se cuidando, um forte abraço e até!

Acredito que as melhores viagens são aquelas que fazemos para dentro. No "Na Bagagem", compartilho histórias, memórias e reflexões sobre o que realmente importa carregar conosco: as experiências que moldam quem somos.

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